"As Vinhas da Lira" com André Gago, Carlos Barretto e Helena Faria


Dioniso, o deus grego, o Baco greco-romano, legou à humanidade o vinho e o teatro, ou seja, os seus ritos e a pulsão dos seus versos. Estes dois elementos, o vinho e a poesia, comungam de um mesmo desejo e de um mesmo efeito: o de nos elevar a outro patamar de consciência das coisas, o de captar e nomear o visível e o invisível e o de nos abandonarmos, apossando-nos de algo maior do que nós: uma dissolução do Eu numa experiência maior, de que o Outro, os outros, são parte indissociável — mesmo o vinho do solitário deseja ser partilhado com as dores do mundo.

A poesia, e a sua irmã siamesa, a música, têm esse poder. E os poetas não esqueceram nem o vinho, nem o deus que o ofereceu ao mundo.

As Vinhas da Lira” (título inspirado na obra de John Steinbeck), propõe uma viagem de música improvisada pelo contrabaixista Carlos Barretto para poemas seleccionados e ditos pelas vozes de André Gago e Helena Faria.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Pessoa, Al Berto, Natália Correia, Miguel Torga, Vasco Graça Moura, entre outros poetas portugueses, ou Baudelaire, Holderlin, Pablo Neruda, Li Bai, Manuel Bandeira, Salvat Monho, Omar Khayyam, Ovídio ou Horácio, fazem parte desta colheita. Vamos molhar a palavra, e brindar juntos.

Sobre André Gago

Actor, encenador e escritor galardoado, vem dedicando intensamente os últimos dez anos à poesia, tendo começado entretanto a compor música especificamente para os seus espectáculos. Colabora também com outros grupos de música e poesia, como No Precipício era o Verbo ou a Lisbon Poetry Orchestra, e tem uma colaboração longa e estreita com músicos como Carlos Barretto ou Nicholas McNair. Uma vez por mês apresenta As Primas Terças dedicadas a um poeta ou a um tema particular.

Créditos da foto de Graça Ezequiel

Sobre Carlos Barretto

Quando se fala de jazz em Portugal, o nome de Carlos Barretto (CB) é uma referência de mérito incontornável. A crescente internacionalização da sua actividade artística tem levado a sua música a muitos destinos, tanto na Europa como no resto do mundo, sempre com rasgados elogios por parte da crítica especializada.

Em 1993, iniciou os seus projectos como líder e compositor, tendo gravado 9 cd’s em nome próprio e colaborado em mais de vinte obras de músicos. Nas suas actuações, é notória a evolução estética da sua música, desde o neo-bop até ao jazz europeu contemporâneo. Actualmente trabalha em vários projectos: Carlos Barretto Lokomotiv (com Mário Delgado e José Salgueiro), LST (Lisboa String trio), Guitolão (com António Eustáquio), Carlos Martins quarteto, Carlos Barretto Solo pictórico e “No precipício era o verbo” projecto multidisciplinar que une a poesia com a música, contando com os diseurs André Gago, António de Castro Caeiro e José Anjos.

Sobre Helena Faria

Actriz e educadora tem dedicado grande parte da sua vida à mediação cultural, mais especificamente à mediação do livro e da leitura. Gosta de cozinhar linguagens insuspeitas e saborear a liquidez da poesia no fim de lhe tirar a rolha e deixá-la respirar. Seja tinto ou branco, o mesmo prazer na escuta, o mesmo prazer na voz.

Partilha uma cumplicidade antiga com o André e com a Margarida. Com o Carlos, a cumplicidade está em fase de deslumbramento iniciático.

Actriz, educadora, contadora de histórias, encenadora, escritora… fundadora do Teatrão e da Camaleão… mediadora do livro e da leitura, mediadora de cultura científica… gosta sempre de saborear um bom cálice de poesia em boa companhia.

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