REVELAÇÕES

Jorge Prata


Revelações nasce de um conjunto de sensações, emoções e sentimentos que se foram enraizando no fotógrafo durante o tempo de contemplação que dedicou ao conjunto escultórico Última Ceia, de Hodart Vyryo e que se encontra exposto no Museu Nacional de Machado de Castro. As imagens aqui reunidas partem da Ceia, por Hodart vivida, inscrevendo Jorge Prata uma aura de intemporalidade nos sentimentos que habitam os corpos criados pelo escultor. Fotografias a preto e branco que procuram Revelar a Ceia e o mistério que a habita, conduzidos pela luz que desliza sobre as esculturas em barro modeladas por Hodart. Luz que fixa o instante na eternidade.

Museu Nacional de Machado de Castro
Quinta-feira 18h00 (Inauguração)*
Até 11 de Dezembro
10h00-18h00 | Terça a Domingo
Entrada Livre
*Será servido um Vinho Generoso
Sicó de Honra/Vinhos Terras de Sicó
com Gonçalo Moura da Costa


O projecto Revelações emergiu, e foi ganhando forma, a partir de um conjunto de sensações, emoções e sentimentos que se foram, em mim, enraizando, durante o tempo em que, corpo unido ao solo rugoso, mas de uma rugosa luminosidade, da sala em que a Última Ceia, de Hodart Vyryo, se encontra disposta no Museu Nacional de Machado de Castro, os seres por aquele em barro modelados se foram comigo irmanando. Como se, no momento de um tempo em que os tempos se entrelaçam, Hodart fosse Cristo e cada um dos Apóstolos que com Ele pão e vinho compartilharam e, nesse seu momentâneo ser, perante mim desse a ver a Ceia que viveu e foi. De quatro Revelações se trata aqui, portanto, ainda que a mesma sejam todas elas: as duas que nos gestos de Cristo se narraram - corpo e sangue de Ressurreição que para vós serei, por um beijo dilacerado que anuncio; a de Hodart, que nos desvela, sem o anular, o mistério do que em aquele momento se viveu; a das fotografias, que procuram ser (dar-a-ver), no despojamento silencioso do solo que acolhe a semente que a ele se dá, a Ceia por Hodart vivida. Revelar a Ceia, portanto, no mistério que a habita. A opção pelo preto e branco, impondo uma cesura na nossa experiência imediata de apreensão dos objectos na quotidianidade do nosso viver, em que se nos oferecem na coloração do instante em que com os olhos os tocamos, tem como objectivo inscrever uma aura de intemporalidade nos sentimentos e emoções que habitam os corpos criados por Hodart. Como se esses sentimentos e emoções fossem os constituintes perenes do sentir humano, presentes há mais de 2000 anos em uma Ceia que não cessa de, no contínuo infindável dos dias, se actualizar. A concretização particular desse eterno e abstracto sentir será dada pela luz que, no local e momento em que fotografo as esculturas modeladas por Hodart, sobre elas desliza. A luz inscreve o instante na eternidade.

Jorge Prata

Professor, nascido Lisboeta no ano de 1961. Medievalista por Paixão, Fotógrafo por iniludível apelo do Mundo. Duas modalidades de ser que têm em comum o desejo, por vezes insano, mas sempre lúcido, de desvelar a “anima do mundo”. Trabalho paciente e moroso este, em que as mãos e os olhares de fotógrafo e de historiador se entrelaçam no desocultamento do que, convocando-os, perante eles se desdobra, e espera ser em silêncio acolhido.

Trabalhos no âmbito da Fotografia:
Exposições: Encontros Fotográficos Mafra e Ericeira (Colectiva). Ericeira, Praça da República. Outubro 2018. Exposição no Jardim (Colectiva). Lisboa, Jardim D. Luís. 2019. Retrato. Alcobaça, Hotel Real abadia. Março 2019. Conexões: Exposição de Fotografia Luso-Francesa (Colectiva). Alcobaça, Armazém das Artes. Maio 2019 Mosteiro de Alcobaça: Espaço; Memória; História. Benedita, Safary Café. Junho 2019. 19 Olhares sobre o Conselho de Alcobaça (Colectiva). Alcobaça, Mercoalcobaça. Agosto 2019. Um Olhar Sobre Pedro e Inês (Colectiva). Alcobaça, Hotel Real abadia. Outubro 2019. O concelho de Caldas da Rainha pelo olhar de 14 fotógrafos (Colectiva). Caldas da Rainha, Museu do Hospital e das Caldas. Outubro 2019. Um Olhar Sobre Pedro e Inês (Colectiva). Benedita, Safary Café. Novembro 2019. Mosteiro de Alcobaça: Espaço; Memória; História. Caldas da Rainha, Museu do Hospital e das Caldas. Janeiro 2020. Abandono (Colectiva). Alcobaça, Rossio. Novembro 2021.

Colaboração em Livros: BARROSO, Fernando Paula – Pó e Sonhos. Alcobaça: Alma, 2019.
MADURO, António Valério – Requinte e Paladar. A Gastronomia Monástica Alcobacense. Maia: ISMAI, 2019.
MADURO, António Valério; RASQUILHO, Rui (Coordenadores) – Um Mosteiro entre os Rios. O Território Alcobacense. Alcobaça: Hora de Ler, 2021.
SILVA, Carlos Mendonça (Coordenador) – Roteiro Cultural da Região de Alcobaça. Alcobaça: CMA, 2001.

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