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Fomos à América da Grande Depressão e voltámos. Mas será que hoje vivemos uma realidade distinta?


“As pessoas andam, andam sempre. Nós sabemos porquê e sabemos como. Caminham porque são obrigadas a caminhar. É o único motivo por que todos caminham. Porque querem alguma coisa melhor do que têm. E caminhar é a única oportunidade que têm de a conseguir. Se querem e precisam, têm de ir buscar. A fome mete o lobo a caminho.”

in “As Vinhas da Ira” de John Steinbeck

Foi na bonita Sala dos Azulejos, no Seminário Maior de Coimbra, que escutámos a cativante apresentação feita pela nossa convidada, Maria José Canelo, sobre a obra marcante de John Steinbeck, “As Vinhas da Ira”. Contextualizado o notável romance no seu período histórico e mencionados os aspectos mais relevantes da vida do escritor, viajámos por uma narrativa que se desenrola numa América deprimida e em grande convulsão social, na década de trinta do século passado. Fotografias documentais da época, imagens do filme de John Ford com o mesmo título (adaptado do romance e que contribuiu significativamente para o seu êxito editorial), baladas de músicos consagrados inspiradas pela obra em apreço, acompanharam a excelente e rigorosa abordagem feita por Maria José Canelo, prendendo a atenção e o interesse de todos os presentes. O inevitável paralelismo com a actualidade foi igualmente objecto de referência, acentuando o carácter intemporal deste romance na história da literatura universal.

No final, uma surpresa reservada para todos: a prova de um vinho tinto, do Baixo Alentejo, em cujo rótulo podemos ler: “As Vinhas da Ira”. Impressivo vinho, tal como a obra que inspirou a sua designação. Uma cortesia da mercearia “A Camponeza”.

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